
Leia algumas as obras do autor:
Sagarana
Grande Sertão: Veredas
Tutaméia
Manuelzão e Miguilim
entre outras....



-- Paulino, aqui está o flautista de quem lhe falei - disse Tute
-- Isso aí? Esse molecote? Flautista??? Tá mais precendo um galetinho! - espantou- se o diretor diante da figura comprida, desengonçada e de calças curtas que Tute guiava pelo pescoço.
No dia seguinte, no primeiro ensaio, a reação de espanto do maestro só não foi maior do que a dos músicos bigodudos, preocupados com as páginas e páginas de partitura, que viam Pixinguinha tranqüilo, soprando limpo e bonito a música inteira, em perfeito entendimento com o resto da orquestra.
-- Pegou tudo na antena. Nem olhou prá partitura! - comentou um.
-- Eu disse prá vocês que ele era um batuta - acrescentou Tute.
Assim, Pixinguinha garantiu o seu lugar na orquestra que tocaria na peça "Chegou Neves", com o melhor que existia de elenco naquela época. A notícia correu pela cidade: no Teatro Rio Branco havia um prodígio de flautista. Formou- se na platéia uma espécie de torcida, principalmente nas matinés de domingo, quando Pixinguinha fazia solos, acrescentando improvisos à cada nova apresentação.

Carioca de Madureira criado no Catumbi, desde pequeno gostava de cantar no coro da igreja e participar dos blocos de carnaval. Na adolescência e juventude ganhou um violão e começou a tocar bossa nova e rock'n'roll. Nos anos 60 apresentou-se no Beco das Garrafas, que se tornou um dos redutos da bossa nova. Lá foi ouvido por um produtor que o chamou para gravar. Logo saiu o primeiro compacto com "Mas, Que Nada" e "Por Causa de Você, Menina", em 1963, acompanhado pelo conjunto Copa Cinco. No mesmo ano lançou o primeiro LP, "Samba Esquema Novo". Foi para os Estados Unidos e lá suas composições "Zazueira", "Mas, Que Nada" e "Nena Naná" entraram nas paradas de sucesso, sendo gravadas por intérpretes como Sergio Mendes, Herb Alpert, José Feliciano e Trini Lopez. Na era dos musicais da TV, fiel a seu estilo múltiplo, participou tanto de O Fino da Bossa (comandado por Elis Regina) quanto do Jovem Guarda de Roberto Carlos, e mais adiante do Divino Maravilhoso dos tropicalistas Caetano e Gil. Em 1969 obteve enorme sucesso com "Cadê Teresa", "País Tropical" e "Que Maravilha", além de concorrer com "Charles, Anjo 45" no festival da canção da TV Globo. Venceria o festival em 1972, com "Fio Maravilha", interpretado por Maria Alcina. Lançou outros discos nos anos 70, incluindo clássicos como "A Tábua de Esmeralda" (1974) e "África Brasil" (1976). Na década seguinte dedicou-se a divulgar suas músicas no exterior. E 1989 mudou o nome artístico de Jorge Ben para Jorge Ben Jor. Sua música "W/Brasil (Chama o Síndico)", lançada em 1990, estourou nas pistas de dança em 91 e 92, tornando-se uma verdadeira febre. A partir daí seus discos se tornaram mais pops, sem perder o suíngue que sempre o caracterizou. "Músicas para Tocar em Elevador", de 1997, tem participações de 12 artistas, como Carlinhos Brown, Fernanda Abreu e Paralamas do Sucesso. A música de Jorge Ben Jor tem uma importância única na música brasileira por incorporar elementos novos no suíngue e na maneira de tocar violão, trazendo muito do soul e funk norte-americanos e ainda com influências árabes e africanas, que vieram através de sua mãe, nascida na Etiópia. Suas levadas vocais e instrumentais influenciaram muito o sambalanço e fizeram escola, arregimentando uma legião não só de admiradores como também de imitadores. Foi regravado e homenageado por inúmeros expoentes das novas gerações, como Mundo Livre S/A (em "Samba Esquema Noise") e Belô Velloso ("Amante Amado").
Jackson do Pandeiro nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, em 31 de agosto de 1919, com o nome de José Gomes Filho. Filho de uma cantadora de coco, Flora Mourão, que deu a ele o seu primeiro instrumento: o pandeiro.
