terça-feira

Lucas Oliveira: "Cantiga de amigo" (Elomar Figueira)

Em 20 de novembro de 2015, apresentei no Conservatório Pernambucano de Música o recital Lucas Oliveira interpreta Elomar, um dos resultados de minha imersão na obra do compositor brasileiro Elomar Figueira Mello. O recital foi apresentado também na Universidade Federal de Pernambuco, na Usina Cultural ENERGISA em João Pessoa, na Escola Técnica Estadual de Criatividade Musical de Recife; e no Festival Lourival Batista, na cidade de São José do Egito - PE.

O vídeo que segue é um dos números do recital apresentado no Conservatório: a Cantiga de amigo, na qual o compositor Elomar demonstra a influência que sofreu da literatura medieval. 

Apesar do que o título sugere, a canção não é feita estritamente nos moldes da cantiga de amigo medieval, que, apesar de serem de autoria de homens, o eu-lírico das canções é uma mulher, que retrata seus sofrimentos amorosos durante a espera por seu amigo, o homem amado (ver aqui artigo sobre as cantigas de amigo).

A cantiga de Elomar é muito mais livre: quem fala em primeira pessoa é um homem, e a mulher é tratada como a amiga pela qual ele espera. A mulher aparece também como madre, figura que nas cantigas galego-portuguesas é a mãe da mulher que fala na cantiga, e a quem se queixa por sua desilusão amorosa. No caso da cantiga de Elomar, a madre amiga é má, pois “mentiu jurando amor que não tem fim”. A canção é uma das representantes da vertente castiça, ou culta, do português, na obra de Elomar, que também transita pelo uso da vertente popular sertaneja da língua portuguesa (ver palestra da Profa. Jerusa Pires Ferreira, disponível aqui, acerca da influência medieval na arte de Elomar).



No recital registrado neste vídeo, contei com a presença especial de bons malungos:

Maria Oliveira e Edson Marques: vocal
Eneyda Rodrigues e Inrgid Guerra: Flautas
Laís de Assis: viola brasileira
Ivo Aurélio Silva: violão (6 cordas).
José Freire Neto: violão (7 cordas).

O arranjo da canção foi adaptado do arranjo feito por Carlos Catuípe para ser gravado por Diana Pequeno em seu LP Eterno como areia, de 1979.

A filmagem foi feita por Michelle Pacheco.

A todos, uma ótima semana.
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